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Saiba mais sobre os tipos de redação dos vestibulares

Tipos de redacao

Quem está se preparando para prestar vestibular precisa conhecer os tipos de redação que podem ser solicitados nas provas. Afinal, para conquistar uma boa nota é preciso saber diferenciar as categorias redacionais, bem como desenvolvê-las com coesão e coerência.

Além disso, as bancas avaliadoras valorizam aqueles estudantes que apresentam ideias relevantes e demonstram consciência acerca do tema da redação. Por isso, praticar bastante é o caminho para se sair bem.

Pensando nisso, preparamos este post para ajudar você a se preparar para fazer uma ótima redação e conquistar um excelente resultado no vestibular. Continue a leitura e fique por dentro de todos os detalhes sobre os tipos de redação mais cobrados nos vestibulares.

 

Qual é a importância da redação nos vestibulares?

Antes de abordar as questões relacionadas à produção do texto em si, vale a pena destacar a importância que essa etapa tem nos vestibulares de todo o país. Por exemplo, um estudante com nota zero na redação do Enem não pode utilizar o desempenho no exame no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que permite o ingresso em mais de 100 instituições públicas de ensino superior do Brasil.

Por outro lado, um texto bem avaliado ajuda a elevar a média final do estudante e ainda serve como critério de desempate na disputa por uma vaga. Afinal, a redação é uma maneira de as universidades identificarem os candidatos que conseguem aplicar os conhecimentos linguísticos e organizar as próprias ideias para se expressar por meio de textos.

 

Como é feita a correção da redação nos vestibulares?

Cada vestibular estipula a sua própria matriz de correção dos textos, ou seja, as diretrizes que a banca avaliadora irá seguir para dar uma nota para cada estudante; porém, há critérios que são considerados em todas provas: atender ao tema e à proposta, ter coesão e coerência e possuir qualidades gramatical e vocabular.

Muitos estudantes têm dúvidas sobre as diferenças entre coesão e coerência. Confira abaixo uma explicação sobre esses dois conceitos.

 

O que é coesão textual?

A coesão textual se refere à harmonia entre as várias partes que compõem um texto, garantindo que formem uma sequência lógica. É o que faz com que os verbos, substantivos, pronomes e todos os outros termos utilizados na redação sejam organizados de modo a transmitirem uma mensagem clara.

É um requisito determinante para desenvolver qualquer tipo de redação, visto que o objetivo dessa etapa é descobrir quem são os candidatos capazes de se expressar de maneira articulada. Se o texto for confuso ou suas frases estiverem desconexas, será impossível obter uma boa nota.

Para ajudar, existem os elementos de coesão, palavras que estabelecem uma relação entre um termo e outro, dando sentido às orações. Confira que elementos são esses:

 

Conectores

Um texto coeso é aquele que possui elementos que estabelecem uma ligação entre termos ou frases de forma bem estruturada. Para isso, use conjunções, preposições, pronomes, advérbios e locuções adverbiais.

 

Correlação verbal

Um aspecto essencial para que uma mensagem possa ser compreendida é a aplicação dos tempos e modos verbais de forma harmoniosa. Para expressar as ideias de maneira lógica, escreva textos com articulação temporal, ou seja, em que os verbos sejam concordantes. Assim, as orações tornam-se mais precisas e claras.

 

Referências

Nesse caso, a coesão ocorre porque se usam palavras que fazem referência ou reiteram algo que foi mencionado anteriormente. Pronomes e advérbios atendem muito bem a esse propósito, criando mecanismos como a anáfora, a catáfora, a elipse e a reiteração.

 

Substituições

Para assegurar a clareza do texto sem precisar repetir exaustivamente a mesma palavra — como um nome de lugar ou de alguém —, pode-se substituí-la por termos com o mesmo sentido. Para falar da cidade de São Paulo, uma substituição adequada seria a expressão “capital paulista”, por exemplo.

 

Quando todos esses recursos são utilizados de forma fluida e combinada ao longo de uma redação, a coesão textual fica evidente.

 

O que é coerência textual?

A coerência textual é mais um aspecto imprescindível para a compreensão de um texto. Assim como a coesão, ela é necessária para que se consiga transmitir as ideias com lógica. Mas, qual é a diferença entre esses dois termos?

Enquanto a coesão tem a ver com a forma como algo é dito, levando em conta a estrutura do texto e a ligação entre as partes do enunciado, a coerência está relacionada ao conteúdo da mensagem em si. Um texto pode ser coeso, mas falhar no quesito coerência se as ideias transmitidas não fizerem sentido.

Para que a redação tenha coerência, mantenha o foco no tema que está sendo desenvolvido, sem incluir frases sobre outros assuntos, e evite declarações contraditórias e ambíguas. Também é importante ser objetivo, e não repetitivo. Outra dica para construir redações coerentes é ter atenção com a continuidade temática e a progressão semântica. Isso quer dizer que se devem introduzir novas informações, tendo em mente a progressão textual.

Ao final da redação, o leitor precisa não só entender tudo o que foi dito, mas sentir que houve começo, meio e fim.

 

Quais são os principais tipos de redação?

Entre as diversas categorias redacionais existentes, uma delas costuma ser a mais solicitada nos vestibulares: a dissertativa.

 

Dissertativo

Esse é um texto no qual o autor defende uma opinião acerca de um determinado assunto. É bastante útil para discutir temas socialmente relevantes e propor soluções para os problemas que afetam a sociedade. Textos como os ensaios, os editoriais e as cartas argumentativas são considerados dissertações.

Uma dissertação pode ser classificada como um texto dissertativo-expositivo e dissertativo-argumentativo. O expositivo apenas expõe ideias ou conceitos, sem ter a preocupação de persuadir o leitor a concordar com um ponto de vista. O argumentativo, por sua vez, centra-se em uma tese e apresenta argumentos para convencer o leitor. Esse é um dos tipos de redação mais populares entre os vestibulares de todo o país — inclusive, é o modelo adotado pelo Enem.

Outros gêneros redacionais podem ser solicitados nos vestibulares. Confira abaixo alguns exemplos que se enquadram em elementos textuais que podem ser solicitados pelas universidades.

 

Elementos descritivos

O texto descritivo, como o próprio nome indica, é baseado na descrição de algo ou alguém. A partir das próprias impressões, o autor constrói, com palavras, uma imagem que envolve características físicas, psicológicas e outros detalhes que considere relevante para compor esse retrato.

Quando uma descrição tem um viés realista, focando em características concretas e sem expor as impressões do autor, dizemos que ela é objetiva. Por outro lado, a descrição em que essas opiniões são apresentadas, como ocorre muito nos textos literários, é chamada de subjetiva. Neste último caso, o uso de adjetivos e locuções adjetivas é predominante no texto, assim como o de comparações.

Tenha em mente que raramente há textos integralmente descritivos. Esses elementos tendem a ser pulverizados em outros gêneros redacionais, como o dissertativo e o narrativo.

 

Elementos narrativos

Tendo como base o relato das ações de um personagem, uma narrativa é um tipo de texto em prosa que precisa de alguns elementos para ser desenvolvido. São eles:

  • Narrador: o que conta a história;
  • Enredo: composto por uma série de acontecimentos;
  • Personagens: principais e secundárias;
  • Tempo: cronológico ou psicológico;
  • Espaço: onde a trama se passa.

 

A narrativa normalmente começa com alguns eventos que servem para apresentar as personagens, o tempo e o espaço. Em seguida, as ações das personagens se desenrolam até o enredo alcançar o clímax, que é o momento mais dramático da trama. Por fim, no desfecho, é apresentada a resolução dos conflitos.

Esse tipo de texto pode ser narrado em primeira pessoa, quando o narrador é uma personagem, ou em terceira pessoa, quando quem relata não participa da história e, por isso, conhece todos os detalhes do enredo. Além disso, o texto também pode ser desenvolvido em:

  • discurso direto, no qual as falas dos personagens aparecem;
  • discurso indireto, no qual as falas não aparecem; 
  • ou discurso indireto livre, o qual apresenta uma mistura dos dois tipos citados acima.

 

Alguns gêneros redacionais que utilizam elementos narrativos são, por exemplo, o conto e a crônica.

 

Qual é o modelo utilizado nos principais vestibulares?

Como mencionamos, cada instituição de ensino escolhe, entre vários tipos de redação, aquele que melhor se adapta à avaliação que pretende fazer. Conheça a seguir os modelos de redação adotados pelos três principais vestibulares do país e a matriz de correção de cada um deles.

 

Fuvest

A Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) é a instituição responsável pela realização do vestibular da Universidade de São Paulo (USP), uma das maiores do Brasil. Logo, não é difícil imaginar o quanto essa prova é concorrida.

A redação faz parte da segunda fase do processo seletivo, a qual é composta por duas provas: a primeira possui 10 questões de Português – cada qual com dois itens a serem respondidos – e a redação, enquanto a segunda prova possui 12 questões de duas a quatro disciplinas – dependendo do curso escolhido pelo estudante.

O tipo de texto solicitado na redação é o dissertativo-argumentativo. A prova traz alguns textos de apoio e indica o tema que deve ser desenvolvido, além de fornecer algumas instruções como a quantidade de linhas exigida, a necessidade de criar um título e de usar a norma culta da língua portuguesa. Nesse sentido, vale ressaltar que desobedecer às regras pode fazer com que a redação seja zerada.

Os critérios de avaliação da Fuvest envolvem, principalmente, apresentação de conhecimentos e opiniões, argumentação coerente e pertinente, além de articulação clara, correta e adequada.

 

Unicamp

Assim como o vestibular da Fuvest, o da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) também aplica a prova de redação em sua segunda fase, no entanto, existe uma diferença importante entre essas Bancas: no caso da Unicamp, há duas opções de redação com temas e gêneros distintos. Além disso, os gêneros em questão não são divulgados pela universidade, o que significa que o candidato deve conhecer muito bem os diversos tipos de redação para se sair bem. Geralmente, a prova oferece dicas quanto aos gêneros propostos.

Para se preparar para uma prova tão cheia de particularidades, uma dica é estudar muitos textos de gêneros variados. Assim, ler e escrever editoriais, resumos, artigos de opinião, resenhas, cartas e vários gêneros narrativos — como romance, conto e crônica — é uma maneira eficiente de se habituar a esses formatos e também à linguagem utilizada neles.

Outra dica promissora é usar os temas das redações de anos anteriores para praticar a escrita e ler textos que receberam notas altas. Por fim, na hora de elaborar as redações, preste muita atenção às instruções para o desenvolvimento de cada texto — gênero, tipo de linguagem, tema e outras exigências.

 

Enem

Considerado o maior vestibular do Brasil, uma vez que é utilizado no processo seletivo de muitas instituições de ensino superior públicas e privadas por todo o território nacional, o Enem adota o texto dissertativo-argumentativo como modelo de redação. Por isso, a capacidade de apresentar argumentos para defender uma tese é essencial para conquistar uma boa nota.

O tema da redação costuma ter relação com alguma questão social e de grande relevância para o país, por isso, uma boa dica de estudo para essa prova é acompanhar as notícias durante todo o ano. Mantenha-se atualizado, conheça vários pontos de vista acerca de assuntos diversos e forme a própria opinião sobre eles.

A prova traz alguns textos de apoio, que servem para ajudar o candidato a compreender o tema, e instruções similares às dos outros vestibulares, como o número de linhas e a exigência da norma culta.

Uma particularidade da redação do Enem é a solicitação de uma intervenção como uma possível solução para o problema apontado – a proposta de intervenção, como é chamada pelo exame. Além disso, a avaliação é feita tendo como base cinco competências que valem de zero a 200 pontos cada. Assim, deve-se dominar todas elas para conseguir elaborar uma redação nota mil. A seguir, entenda quais são essas competências e o que cada uma contempla.

 

Competência 1

A primeira competência se refere ao domínio da norma culta da língua portuguesa. Um dos aspectos que os avaliadores observam é se o candidato tem domínio ortográfico e gramatical suficiente para garantir a fluidez da leitura e uma boa construção sintática. Além disso, o uso da escrita formal e das convenções registradas pelo Acordo Ortográfico são fundamentais.

 

Competência 2

Na segunda competência, o foco é a compreensão da proposta de redação, cujo tema deve ser desenvolvido seguindo a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo. Para se sair bem, você precisa entender o tema e refletir sobre ele, utilizando seus conhecimentos prévios sobre o assunto para apresentar uma tese e desenvolver justificativas que a comprovem a partir de um repertório bem selecionado.

 

Competência 3

Essa competência analisa a sua capacidade de argumentação para defender um ponto de vista; logo, os avaliadores observarão se a sua tese foi apresentada de forma clara e com argumentos que a sustentem, bem como se você fez o encadeamento das ideias, incluindo suas exposições, explicações e exemplificações – o que demonstra que houve um planejamento prévio do texto.

 

Competência 4

A quarta competência é voltada para o domínio dos mecanismos linguísticos. Você deve usar os elementos de coesão que citamos no início deste post, como os conectores, as referências e as substituições para produzir uma redação com encadeamento textual. Assim, você consegue escrever de maneira articulada e, consequentemente, transmite uma mensagem de fácil compreensão.

 

Competência 5

A quinta e última competência se refere à proposta de intervenção que, normalmente, deve ser feita na conclusão do texto. Certifique-se de propor uma solução coerente para os problemas apresentados por você e que respeite os Direitos Humanos – determinação presente na matriz de referência da redação do Enem.

 

Qual é a estrutura de um texto dissertativo-argumentativo?

Por ser o modelo adotado pelo Enem e o mais solicitado entre os vestibulares, vale a pena reforçar as características do texto dissertativo-argumentativo. No que se refere à estrutura, esse modelo se divide em introdução, desenvolvimento e conclusão. Confira a seguir como deve ser elaborada cada uma dessas partes.

 

Introdução

A introdução deve apresentar os principais tópicos que serão abordados no texto. Trata-se de um trecho breve, geralmente de apenas um parágrafo, que deixa claro o tema da redação e o ponto de vista que vai ser defendido. Mantenha o foco no tema e não mencione nada que não pretenda discutir mais a fundo no desenvolvimento.

A linguagem deve ser clara e objetiva, preferencialmente com frases curtas, voz ativa e ordem direta. Além disso, é interessante começar instigando a curiosidade do leitor, para que ele tenha vontade de continuar acompanhando o texto.

 

Desenvolvimento

O desenvolvimento é a parte mais longa da redação, na qual os argumentos serão devidamente apresentados. A quantidade de parágrafos depende de quantos tópicos foram apresentados na introdução — o ideal é dedicar um parágrafo para cada argumento.

Assim, cada uma dessas divisões deve focar em uma ideia, mas é fundamental que exista uma linha de raciocínio ligando uma tese a outra. Lembra do que falamos sobre coesão e coerência? É aqui que esses recursos ficam mais evidentes, pois você tem a missão de convencer o leitor do seu ponto de vista, e isso só pode ser feito se os argumentos realmente fizerem sentido entre si.

No esforço de defender a sua ideia, tenha o cuidado de não repetir informações. Para reforçar a sua tese, forneça exemplos e cite fatos que legitimem a sua argumentação, por exemplo.

 

Conclusão

Assim como a introdução, a conclusão é feita em apenas um parágrafo. Aqui, ao finalizar a redação, não inclua novos argumentos — isso deve ser feito somente no desenvolvimento. Além de fazer um breve resumo do que foi dito, apresente a proposta de intervenção.

Por fim, não se esqueça de desenvolver um rascunho do seu texto primeiro.

 

Com bastante estudo e prática, você certamente se sairá bem em todos os gêneros redacionais que precisar fazer para passar no vestibular e ingressar no ensino superior.

Gostou de conhecer os tipos de redação e entender o que é necessário para se sair bem nessa prova? Que tal ficar por dentro de outros posts como este? Siga as nossas páginas nas redes sociais e acompanhe as nossas publicações! Estamos no Facebook e no Instagram.

 

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