Massachusetts Institute of Technology (MIT) e University of Southern California (USC)
Desde que se mudou de Bastos, no interior paulista, para São Paulo, a fim de estudar no Colégio Etapa, Camila Maeda Shida viu o sonho de estudar no exterior ganhar forma aos poucos. Ele se concretizou com a aprovação no Massachusetts Institute of Technology (MIT) — onde realizará o ensino superior — e na University of Southern California (USC).
No Brasil, a jovem também foi aprovada em Engenharia de Produção na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Engenharia da Computação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e em Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Uma base sólida para múltiplos interesses
Crescer em uma cidade pequena, segundo Camila, por muito tempo a fez enxergar o mundo como uma pequena bolha. A mudança para São Paulo e a participação em competições do conhecimento ampliaram seus horizontes e abriram caminhos que antes pareciam distantes.
Para a jovem, o Etapa teve um papel importante em sua aprovação internacional, tanto academicamente quanto em relação à comunidade escolar. “A rede de apoio que encontrei foi essencial. Estar cercada de pessoas dedicadas e motivadas criou um ambiente muito estimulante, o que elevou minhas próprias expectativas sobre até onde eu poderia chegar”, afirma.
Com múltiplos interesses — ela chegou a cogitar estudar Direito ou Medicina —, Camila decidiu apostar na área em que enxergava maior potencial de causar impacto e se aproximou da Engenharia. Um divisor de águas nesse processo foi um projeto de digitalização de quadros de UTI.
“Comecei olhando para um problema muito específico do ambiente hospitalar, mas percebi que, por trás dele, existiam questões maiores de organização, fluxo e eficiência. Foi aí que entendi que queria trabalhar criando sistemas e tecnologias que possam melhorar a vida das pessoas”, relembra.
As olimpíadas científicas também marcaram sua trajetória. No Etapa, ela recebeu treinamento e conquistou medalhas em competições de Física, Informática e Matemática. Internacionalmente, a jovem participou de duas edições da Olimpíada Pan-Americana de Matemática para Garotas (PAGMO), conquistando uma medalha de prata, em 2023, e uma de ouro, em 2024.
Fora da sala de aula, Camila cofundou um projeto de aulas de Matemática para meninas de uma escola pública de Bastos e organizou um torneio beneficente de beach tennis na mesma cidade, que arrecadou recursos para o hospital local.
“As olimpíadas me ensinaram a apreciar problemas difíceis e a lidar melhor com a frustração. Já os projetos sociais revelaram o quanto eu gosto de construir coisas ao lado de outras pessoas e de ver impacto acontecendo de forma concreta”, reflete.
Em relação ao processo de candidatura para as universidades internacionais, Camila considera a escrita das essays¹ uma etapa mais longa e desafiadora. A jovem conta que dedicou quase dois meses ao personal statement, até encontrar a conexão entre suas experiências e o que realmente gostaria de contar sobre si.
Um dos textos que mais se destacou para a ex-aluna foi sobre beach tennis. Ela escreveu sobre como o esporte se tornou um espaço de descontração em meio à rotina intensa de olimpíadas e provas. “No fim, percebi que as essays mais fortes eram justamente as que conseguiam transmitir personalidade de forma genuína”, avalia.
Outra etapa que a jovem destacou foi a entrevista com representantes do MIT. Camila conta que a conversa girou muito mais em torno de aspectos como curiosidade e forma de pensar do que do currículo em si. Entre os assuntos abordados estavam as competições científicas, os projetos, a pesquisa, a comunidade e a mudança de Bastos para São Paulo.
Camila espera que a vivência na universidade traga novos desafios e oportunidades de aprendizado. “Estar cercada por pessoas talentosas, de diferentes países e áreas, vai me tirar da zona de conforto. Mas acho que é justamente isso que torna a experiência tão especial”, explica.
Para quem deseja estudar fora, ela destaca a importância de levar as próprias ideias a sério. “Se existe alguma coisa que desperta a sua curiosidade ou lhe parece interessante, tente transformar em algo concreto, mesmo que comece pequeno. Também é importante não construir toda a sua trajetória pensando apenas na candidatura. Mais do que tentar seguir uma fórmula, explore interesses reais, busque ambientes desafiadores e aproveite as oportunidades”, aconselha.

Sobre o MIT
Fundado em 1861, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) é uma das principais universidades de pesquisa dos Estados Unidos, com forte tradição em Ciências Exatas, Engenharia e Tecnologia. A instituição ocupa o 1º lugar no QS World University Rankings há mais de uma década consecutiva.
De acordo com a instituição, entre seus afiliados estão 106 ganhadores do prêmio Nobel, 64 premiados com a Medalha Nacional de Ciências e 35 ganhadores da Medalha Nacional de Tecnologia e Inovação.
¹Essay: redação autobiográfica exigida no processo de candidatura para universidades internacionais.





