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Curso Etapa lança série de vídeos para estudo de poesia

Por Curso Etapa em 17/10/2019
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O Curso Etapa lançou uma série de vídeos dedicados à introdução ao estudo de poesia. O Poesia em Foco conta com a participação dos nossos professores de Português, que analisam aspectos variados de algumas obras de poesia que fazem parte de listas obrigatórias de vestibulares.

“A intenção do projeto é ajudar na capacitação dos alunos para interpretar textos poéticos e identificar neles por alguns tópicos exigidos pelos vestibulares”, ressalta Heric José Palos, coordenador de Português do Curso Etapa.

“Poesia em Foco” procura dirigir o olhar dos leitores para alguns aspectos relevantes das obras de grandes autores da língua portuguesa, como Carlos Drummond de Andrade, Luís de Camões e Gregório de Matos, ajudando-os a perceber algumas características estéticas, temáticas e históricas.

 

Confira alguns dos vídeos para estudo de poesia a seguir:

 

“Claro Enigma”, de Carlos Drummond de Andrade

1ª parte: "Entre Lobo e Cão"
8º poema: "Sonetilho do falso Fernando Pessoa” 

 

Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.

Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.

Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,

eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.

 

4ª parte: "Selo de Minas"
31º poema: "Estampas de Vila Rica" 

 

I - CARMO

Não calques o jardim
nem assustes o pássaro.
Um e outro pertencem
aos mortos do Carmo.

Não bebas a esta fonte
nem toques nos altares.
Todas estas são prendas
dos mortos do Carmo.

Quer nos azulejos
ou no ouro da talha,
olha: o que está vivo
são mortos do Carmo.

 

II - SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Senhor, não mereço isto.
Não creio em vós para vos amar.
Trouxestes-me a São Francisco
e me fazeis vosso escravo.

Não entrarei, Senhor, no templo,
seu frontispício me basta.
Vossas flores e querubins
são matéria de muito amar.

Dai-me, Senhor, a só beleza
destes ornatos. E não a alma.
Pressente-se dor de homem,
paralela à das cinco chagas.

Mas entro e, Senhor, me perco
na rósea nave triunfal.
Por que tanto baixar o céu?
Por que esta nova cilada?

Senhor, os púlpitos mudos
entretanto me sorriem.
Mais que vossa igreja, esta
sabe a voz de me embalar.

Perdão, Senhor, por não amar-vos.

 

III - MERCÊS DE CIMA

Pequena prostituta em frente a Mercês de Cima.
Dádiva de corpo na tarde cristã.
Anjos caídos da portada
e nenhum Aleijadinho para recolhê-los.

 

IV - HOTEL TOFFOLO

E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.

Como se a cidade não nos servisse o seu pão
de nuvens.

Não, hoteleiro, nosso repasto é interior
e só pretendemos a mesa.
Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
Tudo se come, tudo se comunica,
tudo, no coração, é ceia.

 

V - MUSEU DA INCONFIDÊNCIA

São palavras no chão
e memória nos autos.
As casas inda restam,
os amores, mais não.

E restam poucas roupas,
sobrepeliz de pároco,
a vara de um juiz,
anjos, púrpuras, ecos.

Macia flor de olvido,
sem aroma governas
o tempo ingovernável.
Muros pranteiam. Só.

Toda história é remorso.

 

Sonetos, de Luís de Camões

 

3º soneto ("Alma minha gentil, que te partiste”)

Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na Terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta vida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente,
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou.

 

4º soneto ("Amor é fogo que arde sem se ver")

 

Amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói, e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer;

É um não querer mais que bem querer;
É solitário andar por entre a gente;
É nunca contentar-se de contente;
É um cuidar que ganha em se perder;

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade,
Se tão contrário a si é o mesmo Amor?

 

De Poemas escolhidos, de Gregório de Matos

Na chave "Satírica”:

 

(Finge o poeta o assunto para bem lograr esta poesia de consoantes forçadas)

SONETO

Depois de consoarmos um tremoço,
A noite se passou jogando a polha:
Amanheceu, e pôs-se-nos a olha,
De que não sobejou caldo, nem osso.

 

Rosnou por não ficar-lhe nada, o Moço,
De um berro, que lhe dei, fiz-lhe uma bolha,
Rasguei-lhe uma camisa ainda em folha,
E a ceia se acabou, jantar e almoço.

 

O Moço tal se despediu por isso,
E eu fiquei a beber vinho sem gesso
Sobre ovos moles, que me pus um uço.

 

Nesse tempo topei de amor o enguiço:
Tive com Antonica o meu tropeço,
E parti de carreira no meu ruço.

 

1.5 – Contra pessoas

 

Dedicatória extravagante que o poeta faz destas obras ao mesmo governador satirizado (Antônio Luís da Câmara Coutinho)

Desta vez acabo a obra,
porque é este o quarto
tomo das ações de um Sodomita,
dos progressos de um fanchono.
Esta é a dedicatória,
e bem que preverto o modo,
a ordem preposterando
dos prólogos, os prológios.
Não vai esta na dianteira,
antes no traseiro a ponho,
por ser traseiro o Senhor,
a quem dedico os meus tomos.
A vós, meu Antônio Luís,
a vós, meu Nausau ausônio,
assinalado do naso
pela natura do rosto:
A vós, merda dos fidalgos,
a vós, escória dos Godos,
Filho do Espírito Santo,
E bisneto de um caboclo:
A vós, fanchono beato,
Sodomita com bioco,
e finíssimo rabi
sem nascerdes cristão-novo:
A vós, cabra dos colchões,
que estoqueando-lhe os lombos,
sois fisgador de lombrigas
nas alagoas do olho:
A vós, vaca sempiterna
cosida, assada, e de molho,
Boi sempre, Galinha nunca
in secula seculorum:
A vós, ó perfumador
do vosso pagem cheiroso,
para vós algália sempre,
para vós sempre mondongo:
A vós, ó enforcador,
e por testemunhas tomo
os Irmãos da Santa Casa,
que lhes carregam os ossos:
Pois no dia dos Finados,
quando desenterram mortos
também murmuram de vós
pela grã carga dos ombros:
A vós, ilustre Tucano,
mal direito, e bem giboso,
pernas de rolo de pau,
antes de o levar ao torno:
A vós: basta tanto vós,
porque este insensato Povo
vendo, que por vós vos trato,
cuidará, que sois meu moço:
A vós dedico, e consagro
os meus volumes, e tomos,
defendei-os, se quiserdes,
e se não, vai nisso pouco.

 

1.6 – Tipos sociais

1.6.8 – Negros

 

Queixa-se a Bahia por seu bastante procurador, confessando que as culpas, que lhe increpam, não são suas, mas sim, dos viciosos moradores que em si alverga

PRECEITO 1
Que de quilombos que tenho
Com mestres superlativos,
Nos quais se ensinam de noite
Os calundus, e feitiços.


Com devoção os freqüentam
Mil sujeitos femininos,
E também muitos barbados,
Que se presam de narcisos.


Ventura dizem, que buscam;
Não se viu maior delírio!
Eu, que os ouço, vejo, e calo
Por não poder diverti-los.


O que sei, é, que em tais danças
Satanás anda metido,
E que só tal padre-mestre
Pode ensinar tais delírios.


Não há mulher desprezada,
Galã desfavorecido,
Que deixe de ir ao quilombo
Dançar o seu bocadinho.
E gastam pelas patacas
Com os mestres do cachimbo,
Que são todos jubilados
Em depenar tais patinhos.


E quando vão confessar-se,
Encobrem aos Padres isto,
Porque o têm por passatempo,
Por costume, ou por estilo.


Em cumprir as penitências
Rebeldes são, e remissos,
E muito pior se as tais
São de jejuns, e cilícios.


A muitos ouço gemer
Com pesar muito excessivo,
Não pelo horror do pecado,
Mas sim por não consegui-lo.

 

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