O vestibular da Unicamp é a porta de entrada para uma das melhores instituições de ensino superior da América Latina: a Universidade Estadual de Campinas, que oferece mais de 60 cursos de graduação em quatro campi no estado de São Paulo.
Ganhadora do prêmio Geração de Patentes¹ — reconhecimento por ser uma das principais instituições responsáveis pela produção científica no Brasil —, a Unicamp é o sonho de muitos estudantes que se dedicam intensamente para conseguir uma das concorridas vagas da instituição.
As questões de Literatura estão presentes nas duas fases do vestibular — em formato de múltipla escolha na primeira fase e de questões dissertativas na segunda. As provas abordam obras literárias predefinidas pela Comissão Permanente para os Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Comvest) — conhecidas como os livros obrigatórios da Unicamp. Para alcançar uma boa nota, é fundamental incluir essas leituras no seu cronograma de estudos.
Para apoiar a sua preparação, neste artigo você poderá conferir:
● Quais são os livros obrigatórios para a Unicamp 2027;
● Como as obras literárias são cobradas no vestibular da Unicamp;
● Qual a melhor estratégia para estudar as leituras obrigatórias da Unicamp.
A lista de leituras obrigatórias para a Unicamp 2027 é composta por nove obras. A seguir, conheça mais sobre cada uma delas.
Autor: Ailton Krenak
Movimento literário: Pós-modernismo (Prosa contemporânea)
Estilo da escrita: prosa limpa e fluente, com uso de metáforas e ironias, em tom de conversa.
Resumo da obra: o livro reúne cinco textos baseados em palestras e entrevistas realizadas entre 2017 e 2020. Neles, Krenak questiona noções tradicionais de humanidade e civilização, critica valores capitalistas e promove a sabedoria ancestral dos povos indígenas como alternativa ao individualismo moderno. A obra destaca a necessidade de reconfigurar nossa sociedade com uma perspectiva coletiva e ecológica.
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Autor: Paulo César Pinheiro
Movimento literário: Música popular brasileira (MPB) / Literatura contemporânea brasileira
Estilo da escrita: as letras são marcadas pela forte densidade metafórica, com reflexões sobre a vida, a existência e a paisagem brasileira.
Resumo da obra: para o Vestibular da Unicamp 2027, foram selecionadas 14 canções:
● "Canto das três raças" (com Mauro Duarte);
● "Cordilheira" (com Sueli Costa);
● "Desenredo" (com Dori Caymmi);
● "Estrela da terra" (com Dori Caymmi);
● "Evangelho" (com Dori Caymmi);
● "Mordaça" (com Eduardo Gudin);
● "Na volta que o mundo dá" (com Vicente Barreto);
● "Navio fantasma" (com Francis Hime);
● "O dia em que o morro descer e não for carnaval" (com Wilson das Neves);
● "Pesadelo" (com Maurício Tapajós);
● "Velho arvoredo" (com Hélio Delmiro);
● "Vento bravo" (com Edu Lobo);
● "Viagem" (com João de Aquino);
● "Vontade de chorar" (com Ivor Lancelotti).
As canções agregam uma diversidade de gêneros e estilos musicais, muito em decorrência da variedade de parceiros musicais de Paulo César Pinheiro. Além da grande força metafórica e das predileções temáticas, sobressaem o apuro técnico na estruturação rítmica dos versos, a precisão das rimas e a busca da clareza e da elegância ao tratar de temas complexos, o que confere modernidade aos escritos.
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Autor: Machado de Assis
Movimento literário: Realismo
Estilo da escrita: narrativa inovadora, com capítulos curtos, linguagem concisa, digressões filosóficas e uso frequente da ironia. O narrador dialoga diretamente com o leitor, rompendo convenções do romance tradicional.
Resumo da obra: Narrado por um defunto autor, o romance apresenta as memórias de Brás Cubas, membro da elite imperial, que revisita sua vida com ironia e desencanto. Ao expor seus fracassos pessoais e sociais, constrói uma crítica feroz à sociedade brasileira do século XIX.
O tempo da narrativa é retrospectivo, com idas e vindas que seguem a memória do narrador. Brás Cubas narra após a morte, refletindo livremente sobre sua existência entre 1805 e 1869, sem compromisso com a cronologia linear.
A maior parte da trama se passa no Rio de Janeiro imperial, especialmente em ambientes burgueses: casas, salas de visita, ruas centrais, chácaras e repartições públicas. Esses espaços funcionam como retrato simbólico da sociedade aristocrática ociosa e desigual.
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Autor: Caio Fernando Abreu
Movimento literário: Pós-modernismo (Conto contemporâneo)
Estilo da escrita: experimental, variando entre disruptivo e lírico, com uso de fluxo de consciência, discurso indireto livre e referências culturais.
Resumo da obra: publicada em 1982, a coletânea é organizada em três partes: "O mofo", "Os morangos" e "Morangos mofados", que representam, respectivamente, a pulsão de morte, a pulsão de vida e a combinação de ambas. Abreu aborda temas como incomunicabilidade, sexualidade, medo, morte e solidão, refletindo a experiência de uma geração pós-ditadura no Brasil. Com contos que variam em estilo e foco narrativo, a obra explora a fragmentação do indivíduo e a atmosfera cultural da época, utilizando uma escrita introspectiva e formalmente inovadora.
Os contos selecionados da obra para a Unicamp 2026 são os seguintes:
● “Além do ponto”;
● “Aqueles dois”;
● “Diálogo”;
● "O dia em que Júpiter encontrou Saturno";
● “Pera, uva ou maçã?”;
● “Terça-feira gorda”.
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Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Movimento literário: Pós-modernismo - Literatura contemporânea
Estilo da escrita: narrativa marcada pela fragmentação temporal e pela ironia sutil ao tratar das contradições e complexidades da alma humana.
Resumo da obra: publicada em 2009, a coletânea reúne 12 contos que se dividem entre narrativas ambientadas na Nigéria e nos Estados Unidos. A partir de uma representação literária desses dois países, os contos oferecem um poderoso antídoto contra a chamada “história única”, isto é, a tendência de encarar a cultura de um povo com base em estereótipos simplistas, propondo uma visão mais complexa das identidades africanas e da experiência migratória.
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Autora: Conceição Evaristo
Movimento literário: Pós-modernismo
Estilo da escrita: prosa poética, introspectiva e altamente lírica, com uso de oralidade e coloquialismos.
Resumo da obra: a coleção reúne quinze contos que retratam a vivência de personagens negras, sobretudo mulheres, diante do racismo, da desigualdade e de violência. A obra reflete sobre a experiência étnica e de gênero e é marcada pela “escrevivência”, conceito criado pela autora que une escrita e vivência, dando voz a histórias pessoais e coletivas. Os contos enfatizam a resistência, a luta e a esperança, destacando a importância da memória e da ancestralidade.
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Autor: Gabriel Garcia Márquez
Movimento literário: Realismo mágico
Estilo da escrita: os contos da coletânea são narrados em terceira pessoa, a partir de uma perspectiva onisciente que permite ao autor adotar uma postura ora mais distanciada, como se estivesse apenas relatando objetivamente os fatos, ora mais próxima da subjetividade dos personagens, filtrando os acontecimentos por meio de seus valores, sentimentos e pontos de vista.
Resumo da obra: adepto do realismo mágico, García Márquez transita entre a realidade e a fantasia, construindo uma crítica social com base em efeitos alegóricos e no manejo habilidoso da ironia. As narrativas se passam em meados do século XX, momento de profundas transformações políticas e sociais na América Latina. Há também referências ao passado colonial e aos conflitos ocorridos ao longo do século XIX. Os contos são todos ambientados na região do Caribe, no norte da Colômbia.
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Autor: José Paulo Paes
Movimento literário: Modernismo (influência) / Poesia contemporânea
Estilo da escrita: escrita concisa, epigramática, com humor e ironia; versos livres e prosa poética.
Resumo da obra: publicado no início dos anos 1990, o livro é dividido em textos em prosa e poemas curtos. Com humor e ironia, o autor aborda temas do cotidiano como morte, família e experiências pessoais. Influenciado pelo Modernismo, Paes utiliza uma escrita concisa, muitas vezes irônica, para explorar profundidades filosóficas e críticas sociais. O livro valoriza a brevidade e a profundidade, refletindo sobre a existência e o fazer poético.
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Autor: Lima Barreto
Movimento literário: Pré-modernismo
Estilo da escrita: linguagem clara direta e marcada pela presença de expressões populares.
Resumo da obra: o romance, dividido em doze capítulos, é uma paródia de biografia na qual o biógrafo, Augusto Machado, narra a vida do funcionário público Gonzaga de Sá. Por meio de digressões, a obra aborda diversos temas da sociedade brasileira da Primeira República, como o funcionalismo público, a sociedade clientelista, o racismo científico e a elite aristocrática. Com personagens como D. Escolástica e Romualdo, a narrativa revela as hipocrisias e as transformações sociais da época, retratando a vida restrita dos funcionários públicos.
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Leia também: Quais são as leituras obrigatórias da Fuvest?
Na primeira fase do vestibular da Unicamp, são cobradas doze questões distribuídas entre Língua Portuguesa e Literatura; na segunda fase, seis. As obras literárias podem aparecer em ambas as etapas, ou seja, em questões objetivas e discursivas.
As perguntas não são construídas para uma verificação de leitura que se preocupa apenas com a memorização do conteúdo. Neste vestibular, as obras são trabalhadas a partir de diferentes relações, entre elas:
● internas, ou seja, como a trama se desenvolve e a progressão dos personagens;
● contextuais, que exigem que o vestibulando seja capaz de situar a obra em seu período histórico e escola literária;
● externas, que trabalham a conexão do texto literário com correntes críticas, questões sociais e com o mundo contemporâneo.
Ao organizar os estudos para o vestibular, é comum que os estudantes se perguntem se vale a pena ler todos os livros na íntegra ou se resumos e críticas seriam suficientes para se preparar para a prova.
Considerando a forma como a Unicamp cobra os conteúdos literários, a estratégia mais eficaz é ler os textos completos. O vestibular da Unicamp busca selecionar leitores críticos capazes de elaborar relações entre o mundo e o conteúdo transmitido pelos autores, o que não pode ser alcançado apenas com a leitura de resumos, que já passaram pelo filtro interpretativo de uma outra pessoa.
“o vestibular da Unicamp tem se notabilizado por questões muito exigentes, tanto relacionadas ao enredo quanto à compreensão dos textos demandados. Assim, a leitura de resumos não é suficiente, embora possa ser ferramenta útil para quem leu as obras integralmente”, orienta Heric Palos, coordenador de Português do Curso Etapa.
Dessa forma, a leitura integral da obra é fundamental para desenvolver uma interpretação aprofundada e contextualizada dos títulos exigidos pelo vestibular, além de contribuir para a formação de repertório, para as questões de Língua Portuguesa e de Literatura, para a redação e para as demais questões discursivas do exame.
Como a lista da Unicamp é composta por nove obras literárias obrigatórias, preparamos, a seguir, algumas orientações práticas para organizar a leitura e otimizar o estudo ao longo da preparação:
Começar pelas obras mais difíceis permite que você defina seu tempo de leitura e possa criar uma rotina de estudos com mais precisão. Textos mais curtos, por exemplo, podem ser mais desafiadores e demandar mais tempo de estudo, como é o caso da poesia. Elaborar um cronograma de preparação para o vestibular a partir das obras que exigem mais dedicação é uma forma de se organizar para não faltar tempo na reta final.
Uma das competências importantes para a prova é a capacidade de situar a obra em seu contexto histórico e reconhecer as características da escola literária à qual ela se vincula.
O estudante que vai prestar o vestibular da Unicamp deve investigar as obras literárias e buscar relações relevantes dentro da própria obra e também como ela se conecta com o mundo contemporâneo. Uma orientação importante é verificar a relevância das problemáticas levantadas nas obras para os dias atuais e acompanhar a evolução (ou involução) das personagens ao longo da narrativa.
“Existe uma preocupação da banca em selecionar obras literárias que se conectem com a atualidade, mesmo que essa relação não seja imediata. Por exemplo, algumas relações sociais apontadas e ironizadas por Machado de Assis se fazem presentes até hoje; ou a brutalidade cotidiana – e até certo ponto banalizada – tão presente nos contos de Conceição Evaristo; ou, ainda, a atualidade e a beleza das canções de Paulo César Pinheiro, que representam um recorte do que há de mais elevado em uma das principais manifestações artísticas brasileiras na contemporaneidade, a canção popular, especialmente o samba”, comenta Palos.
Com esse direcionamento, é possível se preparar melhor para as provas e criar uma base sólida para resolver as questões de Literatura e alcançar a tão sonhada aprovação no vestibular.
¹ Prêmio Geração de Patentes, realizado pela Clarivate Research Excellence Awards.